Tropas e Boiadas, de Hugo de Carvalho Ramos, publicado originalmente em 1917. O clássico que influenciou Guimarães Rosa ganha nova edição pela Editora O Livro.
Hugo de Carvalho Ramos nasceu em 1895 na Cidade de Goiás e foi colega de escola de Cora Coralina. Publicou Tropas e Boiadas em 1917, aos 21 anos — o único livro que lançou em vida. Morreu no Rio de Janeiro em 1921, aos 25 anos.
Eleito o melhor livro goiano do século XX pelo júri do jornal O Popular, em 1999.20 melhores livros goianos · O Popular
Nasceu na Cidade de Goiás em 1895, estudou ao lado de Cora Coralina na escola da Mestra Silvina e publicou Tropas e Boiadas aos 21 anos. Morreu aos 25, depois de queimar os manuscritos da obra maior que preparava sobre o sertão.
Reunimos a trajetória do escritor, a história da família Carvalho Ramos e as homenagens que levam seu nome — entre elas o colégio militar em Goiânia e o prêmio literário mais antigo em atividade no Brasil.
Uma nova biografia do autor de Tropas e Boiadas, escrita por seu sobrinho-neto, Hugo de Carvalho Ramos Magalhães. Reúne documentos de família, cartas e fotografias inéditas sobre a vida e a obra do escritor. No prelo.
Não achou o que procurava? Nosso atendimento responde de segunda a sexta, das 9h às 18h.
Falar no WhatsAppPublicou um único livro, aos 21 anos, e morreu aos 25. Um século depois, Tropas e Boiadas segue sendo lido como um marco do regionalismo brasileiro e uma das raízes da obra de Guimarães Rosa.
Hugo nasceu em 21 de maio de 1895, às 22h, na residência da família na Praça Primeiro de Junho, atual Praça do Chafariz, na Cidade de Goiás. O registro de nascimento conservado e transcrito pelo Museu da Memória de Goyaz identifica seu nome como Hugo Juvenal Ramos e seus pais como Manuel Lopes de Carvalho Ramos e Marianna de Loyola Ramos.
A literatura já vinha de gerações anteriores. O avô paterno, Antônio Lopes de Carvalho Sobrinho, era poeta baiano e publicou Horas Vagas em 1863. O pai, Manuel Lopes de Carvalho Ramos, foi poeta, advogado e juiz: estudou Direito em Recife e depois veio para Goiás.
Hugo estudou com a Mestra Silvina Ermelinda Xavier de Brito, na chamada Escola Doméstica. Sua colega era Ana Lins dos Guimarães Peixoto, que mais tarde se tornaria conhecida como Cora Coralina. O Dicionário de Educadores da UFG confirma que Hugo, seu irmão Vítor e Cora frequentaram a escola da Mestra Silvina.
Vítor de Carvalho Ramos.
Hugo de Tropas e Boiadas.Cora Coralina · A Escola da Mestra Silvina
Segundo a pesquisa da UFG, Hugo começou muito cedo a frequentar o Gabinete Literário Goyano. Aos dez anos já lia clássicos da literatura, inclusive obras em francês, e tinha especial predileção por Dom Quixote. Lia o que lhe interessava, e não o que o currículo pedia: suas leituras eram tão intensas que chegaram a prejudicar seu desempenho nas disciplinas escolares.
Quando acompanhava o pai, juiz da comarca, em viagens pelo interior de Goiás, Hugo entrava no mundo que depois transformaria em literatura: tropas, boiadas, tropeiros, carreiros, pousos, fazendas, chapadas, rios, festas, lendas, violência, pobreza e relações de poder. A pesquisa da UFG descreve que ele dormia em pousos de tropeiros e carreiros de bois e ouvia histórias do sertão. Ele não escreveu sobre um sertão imaginário.
Hugo pretendia escrever uma obra maior sobre o sertão. Em carta à irmã Ermelinda, fala de seu projeto como uma espécie de apoteose da vida do sertão. A pesquisa da UFG mostra que ele pretendia fazer algo diferente da abordagem de Euclides da Cunha: uma representação mais lírica, com luz, sombra, elegia, epopeia e idílio.
Essa obra não chegou até nós. Na madrugada de 12 de maio de 1921, pouco antes de sua morte, Hugo queimou os manuscritos que havia guardado. Seu irmão Vítor reuniu depois o que conseguiu preservar e publicou, em 1950, as Obras Completas de Hugo de Carvalho Ramos, em apenas 300 exemplares.
A documentação reunida por instituições goianas mostra que a literatura atravessa três gerações da família Carvalho Ramos, do avô baiano ao próprio Hugo.
Poeta baiano. Publicou Horas Vagas em 1863.
Poeta, advogado e juiz. Estudou Direito em Recife e veio para Goiás. Escreveu Goyania.
1895—1921. Autor de Tropas e Boiadas, publicado em 1917.
Manuel Lopes de Carvalho Ramos não foi apenas pai de Hugo. Era escritor e juiz e escreveu Goyania, obra que posteriormente teria importância simbólica na escolha do nome da futura capital de Goiás. O Dicionário de Educadores da UFG registra que Manuel publicou Goyania e que essa obra inspirou o nome Goiânia, no chamado Batismo Cultural de 1942.
É uma família cuja história literária se mistura com a própria história cultural de Goiás.
Vítor era o irmão mais velho e, segundo a documentação, foi provavelmente a pessoa mais próxima de Hugo. Depois da morte do escritor, recebeu da mãe um baú contendo manuscritos, fotografias, cartas e escritos de Hugo. Passou a preservar a memória do irmão e organizou posteriormente suas obras, publicadas em 1950.
Vítor também foi advogado e escritor. Estabeleceu-se em Uberaba, participou da vida jurídica e literária da cidade e da criação do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás e da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.
A pesquisa genealógica da família — Bahia, Goiás, Uberaba e descendentes — segue em andamento, distinguindo o que é comprovado por registro do que é tradição familiar.
Em fevereiro de 1917, Hugo publica Tropas e Boiadas pela Revista dos Tribunais, no Rio de Janeiro. Tinha apenas 21 anos. A Biblioteca do Futuro conserva a fotografia histórica de Hugo aos 21 anos, justamente da época da publicação.
A recepção foi excepcional. Lima Barreto leu a obra e escreveu uma apreciação extremamente favorável, testemunho reproduzido pelo Museu da Memória de Goyaz. Monteiro Lobato assumiu a edição da obra em 1922, um ano depois da morte de Hugo, acrescentando novos textos.
Não é correto dizer simplesmente que Guimarães Rosa copiou Hugo, mas existe evidência crítica de influência. Gilberto Mendonça Teles registrou uma conversa que teve com Guimarães Rosa em 1967, no Itamaraty: ao conversar sobre Grande Sertão: Veredas, Rosa falou sobre suas leituras e destacou as qualidades de Tropas e Boiadas.
A Assembleia Legislativa de Goiás registra Hugo como influência de Guimarães Rosa e Bernardo Élis. Hugo pertence à genealogia literária do grande regionalismo brasileiro que desemboca em Guimarães Rosa.
Eleito o melhor livro goiano do século XX pelo júri do jornal O Popular, em 1999.20 melhores livros goianos · O PopularPedir Tropas e Boiadas
A homenagem mais importante ao escritor é a Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos. Foi criada pela Prefeitura de Goiânia na década de 1940 e passou a ser organizada em parceria com a União Brasileira de Escritores de Goiás, que hoje a apresenta como o mais antigo prêmio literário brasileiro em atividade.
Hugo não deixou apenas um livro. Deixou uma linhagem literária.
O atual CEPMG Hugo de Carvalho Ramos, em Goiânia, ocupa a sede que anteriormente abrigava o Colégio Estadual Hugo de Carvalho Ramos. A Secretaria Estadual de Educação informa que o modelo de Colégio da Polícia Militar começou em Goiás em 1998 e que, em 2000, a unidade foi transferida para a sede definitiva no antigo Colégio Estadual Hugo de Carvalho Ramos.
Um documento patrimonial da SEDUC identifica o imóvel do Colégio Hugo de Carvalho Ramos na Avenida E, Quadra B11, nº 600, Jardim Goiás, em Goiânia. Todos os dias, centenas de estudantes se formam sob o nome do escritor que morreu aos 25 anos.
O jornal O Popular reúne um júri de dez professores, escritores e críticos: Tropas e Boiadas é eleito o melhor livro goiano do século XX.
A Universidade Federal de Goiás promove um seminário e uma edição especial para marcar o centenário da publicação.
O nome de Hugo batiza escolas, ruas e o prêmio literário mais antigo em atividade no Brasil.